27/06/2017

Temer é denunciado e Câmara Federal decidirá autorização para abrir o processo

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Com apenas 7% de aprovação, o menor score de um presidente da República em 28 anos, com uma base parlamentar fazendo água, o que demanda constante calafeto, chegado de uma viagem internacional malsucedida, Temer recebe a denúncia do Ministério Público Federal por corrupção, o que lhe faz passar para a história como o primeiro presidente da República do Brasil denunciado por corrupção.

Diferentemente do que vêm equivocadamente anunciando alguns apressados setores da mídia, Temer ainda não é réu e só poderá assim ser tido depois que a Corte Suprema enviar o pedido de abertura de processo à Câmara dos Deputados e a Casa autorizar o prosseguimento da denúncia, pois a Constituição exige autorização legislativa para que se abra um processo penal contra um Presidente da República.

Para que a Câmara Federal autorize a abertura do processo contra Temer é necessária maioria qualificada de votos autorizativos. E aí reside a vantagem do presidente, pois para que o processo seja aberto a oposição precisa arregimentar 342 dos 513 deputados federais, o mesmo placar para que seja aberto um processo de impeachment. Já a situação, por consequência aritmética, precisa ter apenas 172 deputados votando pela rejeição da denúncia.

O procedimento na Câmara Federal é, grosso modo, similar à abertura de um processo de impeachment: antes de ir à plenário, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tem que elaborar um relatório concordando ou discordando do processo contra o presidente, que será votado apenas pelos seus membros. Mas independentemente do resultado da votação, o relatório será apreciado, em terminativo, pelo plenário.

Sabendo dessa barreira de difícil transposição, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, resolveu fazer-se ao dito popular de que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e decidiu fatiar a denúncia contra o presidente em três, tentando com isso furar a pedra, pois crê que a Câmara Federal não se conseguirá submeter a três desgastes seguidos.

Temer afirma a todos os seus interlocutores que resistirá até o fim. Não é possível, ainda, inobstante, avaliar que fim será este.

26/06/2017

Lula lidera, e 2º lugar tem empate de Bolsonaro e Marina, diz Datafolha

O título da postagem assusta e indigna muitas dezenas de pessoas, mas é o mesmo da Folha de S. Paulo, que publica na edição impressa e online desta segunda-feira o resultado da mais recente pesquisa do Datafolha.

O resultado, embora a mais de um ano da eleição, revela a cristalização das intenções de voto na casa dos 30% para Lula, que envergou para baixo, mas recuperou o estoque histórico do seu eleitorado, depois que á mídia esfarelou o chicote sobre ele até cansar.

Os constantes resultado de pesquisas que colocam Lula em pole position na largada de uma eleição que será daqui a mais de ano, não significam que o lulopetismo voltará a ser inquilino do Palácio do Planalto, mas é índice de que Lula está no páreo e não está prosa.

Abaixo, os resultados do Datafolha:

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Embora vença com margem segura nas intenções de voto nos 8 cenários acima colados, no quesito rejeição Lula continua sendo o mais rejeitado dos prováveis candidatos à presidência, portanto, o maior adversário de Lula em 2018 será ele mesmo:

Shot 018 Na simulações de segundo turno, Lula vence de todos os candidatos pesquisados, com a exceção de Marina Silva e do juiz Sergio Moro. Se a eleição fosse hoje, Lula empataria tecnicamente com Marina e Moro, sendo que com Marina o empate é numérico (40x40) e Moro aparece dois pontos percentuais na frente de Lula (42x40).

Abaixo os resultados dos cenários de segundo turno:

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23/06/2017

Os manuscritos de Eduardo Cunha

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Diante das insistentes incursões para saber se vero é que o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba desde outubro do ano passado, está, desde maio deste ano, redigindo de próprio punho a sua proposta de delação premiada, o advogado de Cunha, Délio Lins e Silva, nega peremptoriamente que o seu cliente esteja nesta empreitada.

Mas segundo os carcereiros do Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde Cunha está enclausurado, o ex-deputado tem pedido com frequência folhas de papel em branco e caneta esferográfica, o que leva a crer que, se não está escrevendo um livro, está redigindo a sua proposta de delação premiada dentro da cela. Quem sabe, e há lógica na opção, o livro seja a delação ou a delação seja o livro, conforme ao que se prestas a leitura.

Reforçou-se o boato das catilinárias esferográficas contra mundo e meio quando, há três semanas, o advogado Lins e Silva, logo após ser contratado por Cunha, pediu um encontro com um assessor de confiança do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em Brasília. Segundo as paredes do gabinete, na ocasião, Lins e Silva ofereceu ao assessor uma amostra grátis do manuscrito. Dizem que quando Janot leu o teaser seus olhos reluziram.

O trecho repassado, por suposto, versaria especificamente sobre supostos esquemas de cobrança de propina relacionada à liberação de verba do Fundo de Investimento do FGTS, o famoso FI-FGTS, um fundo criado em 2007 e que em 2015 já acumulava um montante de R$ 32 bilhões.

O FI-FGTS é administrado pela Caixa Econômica Federal e dispõe recursos em projetos de infraestrutura que já estão sendo objeto de investigações no âmbito da Lava Jato: Cunha se disporia a preencher as lacunas das investigações, dando nome aos bois.

Segundo pessoas com acesso a Cunha, ele resolveu pôr os pingos nos is antes que não sobre vogal alguma no abecedário da Lava Jato, e foi incentivado para tal pela decisão de Lúcio Funaro em contar o que sabe e inventar o que não sabe, o que acaba sendo a mesma coisa nesses dias delatórios, mormente depois que os irmãos Batista, ao invés de serem premiados como reza o instituto, acabaram sendo perdoados como sinceramente arrependidos.

22/06/2017

JBS em liquidação

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Assim como as demais empresas apanhadas pela Lava Jato, a JBS dá sinais de que a sua equação de crescimento não se mantém de pé sem a rede de tráfico de influência e corrupção que a transformou em uma gigante global, eis que, desfeita a teia criminosa, o grupo que a controla teve que engatar a uma marcha à ré que coloca à venda US$ 15 bilhões em ativos.

A reação do mercado, que começa a restringir espaço nas prateleiras à JBS, até que ela comprove práticas de conformidade de que abandonou a vida do crime e, mesmo no espaço oferecido nas gôndolas, a ação dos consumidores dos EUA e países da Europa em boicotar produtos com o selo JBS desidrata as chances da empresa em alavancar recursos no mercado financeiro para saldar as dívidas de curto prazo, que beiram os US$ 30 bilhões.

A solução encontrada, portanto, para evitar um colapso de liquidez iminente, foi optar pela liquidação de ativos. E na cesta está o principal motor da cadeia logística internacional da empresa, a irlandesa Moy Park, comprada do Marfrig por US$ 1,5 bilhão em 2015. Foi a Moy Park quem abriu os caminhos da JBS na Europa.

O anúncio de disponibilidade da Moy Park foi feito depois que, sem maiores alardes, a JBS finalizou a venda das operações na América do Sul para a sua maior rival, a Minerva Foods, segunda no ranking de exportações de alimentos a partir do Brasil, muito atrás da própria JBS, mas que agora alavanca a sua logística com a marcha à ré engatada pelos irmãos Batista.

Enquanto isso, o BNDES e o BNDESPar, aquele com empréstimos duvidosos concedidos à JBS e este com investimentos, idem duvidosos, feitos na empresa, tentam correr atrás de um prejuízo que se anuncia, labutando para impedir a liquidação dos principais ativos do Grupo J&F, pois nesse trote de liquidação, o banco de desenvolvimento e a empresa de investimentos correm o risco de ficar apenas com as carcaças.