23/05/2017

Desculpa aí, pessoal

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O mais recente capítulo da Lava Jato, escrito pelos irmãos Batista, não traz nada de novo, mas apenas mais do mesmo: o conluio generalizado das alcovas da política com o empresariado nacional.

A democracia brasileira era, e talvez o verbo ainda deva ser conjugado no presente, loteada pelo capital que se ergueu tendo como meio de alavancagem de negócios a corrupção.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista foram alvos de ao menos cinco operações da Polícia Federal em menos de um ano. A mais recente delas, a Operação Bullish, tenta desenfronhar os tentáculos dos Batista dos cofres do BNDES, onde a JBS, teria causado prejuízo de R$ 1,2 bilhão.

Em outras operações, a Sépsis, a Greenfield e a Cui Bono, os irmãos Batista são investigados por terem pagado propina para liberar recursos do FGTS e para que fundos de pensão de estatais investissem em suas empresas.

A JBS é uma das empresas de maior destaque na malfadada operação Carne Fraca, onde seus executivos são acusados de mudarem datas de validade de seus produtos e terem montado uma rede de corrupção entre frigoríficos e fiscais para acelerar a liberação de produtos.

Em se considerando estas estripulias, assim como a Odebrecht e outras empreiteiras do feitio, os irmãos Batista não comandam um grupo empresarial, mas uma organização criminosa, que estoca poder econômico e político corrompendo as estruturas institucionais do Brasil.

O valor em propinas confessadamente pagas pelos irmãos Batista, cerca de R$ 2 bilhões – só nas eleições de 2014 foram 1,4 bilhão - é maior do que aquelas confessadas pela Odebrecht, 1,68 bilhão.

Mas assim como a Odebrecht, os valores auferidos pelos Batista, pelo pagamento das propinas, foram extremamente compensatórios: em 2007 o faturamento do grupo era de R$ 4 bilhões e em 2016 esse faturamento já estava na casa dos R$ 170 bilhões e para essa alavancagem o BNDES concorreu com mais de R$ 5 bilhões, além de, através do seu braço empresarial, o BNDESpar, ter comprado, em 2010, R$ 7,5 bilhões em participação acionária no JBS.

Depois de toda essa gatunagem, para se verem livres das mãos da Justiça, os Batista aceitaram pagar ao erário meros R$ 250 milhões e entregar todos os que, por suposto, corromperam, além de gravar o presidente da República sussurrando inaudibilidades em um porão do Palácio do Jaburu.

A desfaçatez da proposta de delação premiada dos irmãos Batista só não foi maior do que a ousadia do pronto atendimento da Procuradoria-geral da República, que aceitou a proposta e ainda parcelou o pagamento dos R$ 250 milhões em 10 anos!

Independentemente de quem tem culpa no cartório, os irmãos Batista as têm em mesma proporção e não deveriam sair da arapuca em que meteram o país em poltronas de primeira classe para os seus apartamentos na 5ª Avenida, em Nova York, com um mero pedido de desculpas.

Pela parte que me cabe, não aceito o pedido de desculpas, a não ser que ele venha acompanhado de um comprovante de depósito de R$ 17 bilhões à conta do Tesouro Nacional, o que equivale a 10% do faturamento do grupo em 2016.

22/05/2017

Diversificando o mix

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Simão Jatene está entre os 16 govenadores que, segundo lista entregue à PGR, a JBS ajudou a eleger

Matéria do Estado de S. Paulo, publicada na edição de ontem (21), faz uma síntese dos valores que teriam sido pagos em propinas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, tomando como base os 42 anexos entregues à PGR no acordo de delação premiada.

Nas planilhas reportadas pelo Estadão há valores nominais de 214 pagamentos que somam 1,4 bilhão e envolvem 28 partidos.

No gráfico abaixo, elaborado pelo Estadão, está a divisão percentual do que cada partido teria recebido do total pago em propinas:

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Em se considerando o total de R$ 1,4 bilhão, o PT, o maior beneficiário, teria recebido R4 609 milhões, o PMDB viria em segundo lugar, com R$ 448 milhões e em terceiro lugar o PSDB com R$ 89,6 milhões. O troco foi espargido pelos demais partidos constantes na planilha.  

Esses valores, segundo a delação premiada dos irmãos Batista, são os repassados não oficialmente aos partidos.

Reporta ainda o Estadão, que nos anexos da delação dos irmãos Batista há também, um manuscrito, confessadamente lavrado pelo executivo do grupo J&F, Ricardo Saud, onde ele refere 16 governadores de estado que a JBS, segundo a delação do próprio Saud, “ajudou a eleger”.

Nesse manuscrito aparece o nome do governador do Pará, Simão Jatene, que, juntamente com os demais governadores citados, por prerrogativa de foro, deverá ser investigado pelo Superior Tribunal de Justiça:

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Na mesma secção da delação, segundo o Estadão, está um manuscrito, também lavrado por Saud, onde estão listados os valores por suposto recebidos por partidos para apoiarem a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014:

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19/05/2017

Morreu Kid Vinil. Viva Kid Vinil!

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A indesejada das gentes levou hoje Antônio Carlos Senefonte, o nome de pia do pai do movimento punk paulista, que depois foi espargido para todo o Brasil.

Trata-se de Kid Vinil, radialista, jornalista e cantor e compositor que ficou famoso nos anos 1980 como vocalista do grupo Magazine.

Apesar de uma grande constelação musical, que caminhou pelo punk, punk rock e o tal rockabilly, uma espécie de rock misturado com o country, Kid Vinil registrou a sua marca com duas canções: Sou boy e Tic Tic Nervoso.

Mas não foi apena ao mix pop que que Kid Vinil deu a sua valiosa contribuição. Ele era um dos maiores conhecedores do rock enquanto movimento cultural e musical. É de sua autoria o Almanaque do Rock, editado pela Ediouro, que conta, com maestria, toda a trajetória do rock, desde os anos 1950 até hoje.

É sabido que Kid Vinil preparara um livro especificamente sobre o rock brasileiro. É uma pena se ele não tiver terminado a obra.