18/01/2017

A origem dos ditados populares

Alguns puristas insistem que usamos alguns ditados populares de forma errada, no que eu discordo: eles apenas foram mudando de forma com o tempo, sem contudo, na maioria das vezes, perderem a identidade de correlação da origem.

Abaixo, oito ditados que usamos hoje, que ao clique do mouse no quadro você lerá como eram originalmente:

A arte foi criada por Maria Carolina.

Conjugando o verbo sonegar

Shot 011

Vez em quando eu me refiro ao assunto aqui e nada custa lembrar mais uma vez: a maior corrupção do Brasil é a sonegação fiscal, crime que, por bizarro que pareça, grande parte dos que querem ver corruptos na cadeia, pratica sob a desculpa de que “não adianta pagar imposto para ser roubado, o equivalente a dizer que “se os políticos roubam o Tesouro, para compensar eu roubo o Fisco”.

O mais recente relatório da ONU sobre o assunto (2016) foi apresentado em Davos, na edição 2017 do Fórum Econômico Mundial, quando os ricos se encontram para apresentar diagnósticos – este ano até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi a Davos dizer que a Lava Jato é capitalista.

O relatório, que avaliou a sonegação fiscal de pessoas físicas e jurídicas, diz que a “evasão fiscal de empresas brasileiras chega a 27% do total que o setor privado deveria pagar em impostos no País”.

Em 30.12.2016 o impostômetro marcava R$ 2,16 trilhões. Uma apertada conta de peixeiro, ponderando na média apenas a sonegação de empresas no grande total, o que rebate à aplicação de um percentual menor que 27%, aponta que o fisco foi tungado em cerca de R$ 400 bilhões por pessoas jurídicas no Brasil em 2016, o que equivale ao PIB do Peru e é mais do que os PIBs do Uruguai, Bolívia e Paraguai somados.

O relatório alerta que embora a sonegação seja um problema mundial, os percentuais da América Latina são mais que o triplo da média das economias consolidadas nas democracias mundiais.

Segundo a ONU a “a América Latina como um todo deixou de arrecadar US$ 350 bilhões” em 2016, por conta da sonegação, o que equivale à previsão de receita do Orçamento Geral da União da República brasileira para o ano de 2017.

Quando se trata de imposto de renda de pessoas físicas, a sonegação, no Brasil, segue a média histórica de 30% e chega a 70% na Guatemala (!).

O relatório aponta que a sonegação na América Latina é o “dobro do que é investido hoje por governos centrais em serviços públicos na região”.

Ou os governos latinos estão gastando pouco em serviços públicos ou a sonegação está nos píncaros da glória. Ou ambos.

17/01/2017

O cinema paraense em cartaz

convite

Se você gosta de cinema, não deixe de ir ver a exposição "Em Cartaz - Uma releitura ilustrada de cartazes do cinema paraense", um projeto dos “Argonautas Coletivo de Ilustradores”, selecionado pela Programa de Incentivo à Arte e à Cultura, da Fundação Cultural do Pará.

O Argonautas Coletivo de Ilustradores foi criado em dezembro de 2014. Sua formação original conta com nove ilustradores paraenses e a exposição marca o seu segundo aniversário, com sua segunda vernissage.

Para visitar o Facebook dos Argonautas clique aqui.

O homem errado

epoca

“O ministro da Justiça fala demais, compra brigas desnecessárias e insiste num plano de segurança que tem tudo para fracassar”. A sentença é a sublegenda da reportagem de capa da revista Época desta semana, intitulada “Alexandre de Moraes, o homem errado”, que ilustra esta postagem.

A manchete e a sublegenda estão corretas e desde o primeiro arroto do Ministro da Justiça, eu ensimesmo por que o presidente da República, dentre tantas opções, escolheu a pessoa errada.

Intuo que foram as qualificações políticas e acadêmicas, nessa ordem, de  Moraes que iludiram Temer.

Ele é do PSDB e isso o qualificou no vestibular da pasta. Mas tem credenciais que vão além deste QI: ingressou no Ministério Público do Estado de S. Paulo como o primeiro colocado do concurso de 1991 e em 2002 deixou o órgão para ser secretário de Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político.

É doutorado pela USP em Direito do Estado, com livre-docência em Direito Constitucional. É professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, uma das mais icônicas escolas do ramo do Brasil.

Mas foi exatamente do Largo de São Francisco, por onde passaram os maiores expoentes jurídicos nacionais, mais exatamente do Centro Acadêmico XI de Agosto, que saiu uma carta aberta pedindo que Alexandre de Moraes “tenha a grandeza de renunciar ao cargo”.

A missiva, assinada por ex-ministros da Justiça, professores de Direito, juízes e defensores públicos, é a primeira do gênero dirigida a um ministro da Justiça que se tem notícia.

Alexandre Moraes é inatacável do ponto de vista acadêmico, mas é um desastre na pasta para o qual foi nomeado, pois nela se move com a delicadeza de um elefante com dor de dentes em uma loja de cristais, e por mais de uma vez o presidente da República já teve que lhe apelar para não falar nada e tentar fazer alguma coisa, mas não tem jeito: o ministro da Justiça é a mais perfeita tradução do doutor que tropeça nas próprias pernas quando sai dos muros da academia.

Tanta demonstração já deu disto, que se pasmo fiquei quando o ouvi pela primeira vez sem ser exonerado logo depois disto, mais pasmado fico ao verificar que Temer continua bancando a sua permanência.

Para ler a reportagem da Época clique aqui. Eu nunca pensei que concordaria com a revista, um dia, em 100% das suas letras.