24/04/2017

Intifada solitária

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Os eternos e constantes conflitos entre israelenses e palestinos na Cisjordânia, continuam sendo pasto fértil para o jornalismo fotográfico.

No flagrante acima, em confrontos na aldeia de Beita, um palestino atira pedras contra soldados israelenses postados do outro lado da barreira de fogo.

A foto é de Jaafar Ashtiyeh/AFP

23/04/2017

Morre Jerry Adriani um dos ídolos da Jovem Guarda

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Em 1967, aos nove anos, cheguei a Belém, desde Tucuruí, para fazer admissão ao ginásio, um concorridíssimo vestibular, prestado por quem acabara o curso primário, para conseguir vaga no curso ginasial.

Foi quando fui apresentado à televisão, que só começava a transmitir às 17h e saia do ar às 22h.

A TV Tupi apresentava um dos meus programas preferidos: um musical chamado “A Grande Parada” que, dentre outros artistas, era apresentado por Jerry Adriani.

O programa chamou-me a atenção porque para mim foi uma revelação ver “em carne e osso” o grande Jerry Adriani que eu costumava ouvir nos alto-falantes que o seu Manoel Seco, o dono do Bi-canal Sherazade, uma difusora que transmitia por fios por todo o centro de Tucuruí, comerciais e notícias entremeados com músicas: os “boca-de-ferro”, como chamávamos aquelas difusoras, eram as emissoras de rádio de então.

Naquela época, segunda metade da década de 1960, Jerry Adriani estourava as paradas com “Um grade amor”, que constatei mais tarde ser uma versão de “I Knew Right Away”, de Alma Cogan:

Vindo ao mundo no bairro paulistano do Brás, em 1947, foi batizado Jair Alves de Souza. À época, o Brás era um bairro operário povoado por imigrantes italianos e isso influenciou a entrada de Jair na música: os seus dois primeiros discos foram gravados em italiano, em 1964.

Após o sucesso dos primeiros discos, já Jerry Adriani – imagine se alguém poderia se manter no mundo artístico chamando-se Jair Souza – A TV Excelsior o contratou para apresentar o “Excelcior a Go Go”, onde, dentre outros nomes de sucesso na música, apresentavam-se “Os Incríveis”.

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Depois do sucesso do Excelcior a Go Go a TV Tupi, que estava para a época como está a Globo hoje, o levou para apresentar “A Grande Parada”.

A esteira do sucesso de Jerry Adriani seu deu no movimento cultural brasileiro surgido no alvorecer da segunda metade da década de 1960, conhecido como Jovem Guarda, capitaneado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, que apresentavam um programa na TV Record (não lembro agora o nome).

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A Jovem Guarda não era apenas um movimento musical: mesclava música com comportamento. Ser da Jovem Guarda era uma maneira de ser, por isso o movimento também lançou moda e Jerry era um dos ícones do movimento.

E foi no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 (a década de 1970 foi uma coisa...) que Jerry Adriani começou a cantar com uma banda que tinha entre os seus componentes ninguém menos que Raul Seixas. A banda era conhecida como “Raulzito e os Panteras”.

Dentre os muitos sucessos escritos por Raul para Jerry, está “Doce, doce amor”, que não faltava nos bailes da minha juventude:

Jerry Adriani foi da leva de cantores brasileiros que, em uma época que só premiava talentos, consagrou-se em vários países. Venezuela, Peru, Estados Unidos, México e Canadá apresentaram o artista em várias temporadas, até que o arrefecimento das bordas do movimento da Jovem Guarda, no final da década de 1970, deu sinais de fadiga e os anos 1980 começaram a sepultar o romantismo artístico, dando lugar à música puramente comercial.

Foi no estertor daqueles anos que conheci Jerry Adriani, em Tucuruí, em um show que ele foi fazer na “Boate do Zezé” um empreendedor da noite que a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí levou para Avenida Lauro Sodré. Ali, todos os sábados, se apresentava um grande nome da MPB e eu era um dos maiores entusiastas das empreitadas, pois, depois do show, era comum, em uma mesa, ficarmos até finar-se a madrugada conversando com o artista. Essa leva de artistas, dos quais Jerry fez parte, não eram estrelas que se trancavam nos camarins antes e depois do show. Eles interagiam e gostavam, mesmo, da noite.

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Em 2007, Jerry gravou o seu primeiro DVD. Foi no Canecão, a icônica casa de shows do Rio de Janeiro. “Jerry Adriani Acústico Ao Vivo” é uma joia que faz uma terna releitura dos clássicos sucessos da sua carreira. Abaixo, quatro minutos do show, começando pela belíssima “És o meu amor”, seguida por “Têm feitiço os teus olhos”:

Desde 07 de abril Jerry Adriani estava internado na UTI do Hospital Vitória, no Rio de Janeiro: um câncer o consumia.

Na tarde deste domingo (23), a família anunciou que a indesejada das gentes bateu-lhe à porta.

Jerry Adriani foi mais um desses seres humanos que se diferenciou como um menestrel de gerações. Que a terra lhe seja leve.

21/04/2017

Palocci vai falar

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Muito mais que os políticos, que por todos os vértices já estão chafurdando à direita e à esquerda na Lava Jato, o mercado financeiro e empresarial nacional começou a procurar ansiolíticos depois da fala do ex-ministro Antonio Palocci no seu recente depoimento ao juiz Sergio Moro, cuja senha está na ilustração da postagem.

A fala de Palocci foi um pedido de ajuda a Sergio Moro para destravar a sua proposta de delação premiada, segundo fontes guardadas a sete chaves, em tramitação há mais de um mês.

Em não mais pairando a dúvida se Palocci fará, ou não , delação, ele fará, começam as especulações sobre não mais o que ele vai falar, mas o quanto vai falar, pois um ex-ministro da Fazenda com a envergadura política que ele teve na República, em se deliberando a rasgar o véu, como ele mesmo afirmou no depoimento, dará combustível para mais um ano de Lava Jato.

Quanto aos políticos, Palocci teria a acrescentar mais do mesmo, na base daquele folhetim policialesco cujo bandido está preso por ter matado 10, mas o andar das investigações indica que, na verdade, que ele matou foi 20.

Quanto ao mercado, principalmente o financeiro, Palocci poderá ir muito além da Odebrecht e suas parecidas e apresentar um quadro que demonstre que não são somente as empreiteiras as genis da República e entrar naquela máxima de Shakespeare de que “entre o céu e a terra há muito mais coisas do que sonha a nossa vã filosofia”.

20/04/2017

Com ampla margem de vantagem, Lula lidera em pesquisa Ibope para 2018

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Entre 11 e 17 de abril o Ibope realizou uma pesquisa cujo resultado não foi divulgado de imediato e agora, timidamente é postada na imprensa, escondida entre manchetes outras.

A razão para a discrição é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “voltou a ser o presidenciável com maior potencial de voto entre nove nomes testados pelo instituto”.

Revela a pesquisa que Lula tem cravados 30% de eleitores que responderam que “votariam dele com certeza” e mais 17% declararam que “poderiam votar” o que representaria um potencial de 47% de votos se as eleições presidenciais fossem hoje.

No caminho de Lula de volta ao Planalto, todavia, ainda há duas pedras: a marcação cerrada da Lava Jato e uma potencial rejeição de 51% do eleitorado afirmando que “não votariam nele de jeito nenhum”.

Esta rejeição, todavia, já foi 14 pontos percentuais maior, ou seja, está ocorrendo aquilo que eu sempre tenho sugerido aqui: a fissura da imprensa, aliada à saga justiceira dos que marcam Lula aos poucos o estão transformado em um mártir vivo.

Na mesma pesquisa, os possíveis candidatos do PSDB, partido que já vestiu as melhores chances de se opor ao retorno de Lula em 2018, estão em processo de desidratação, por conta das denuncias da Lava Jato, que não conseguiu mais omitir o fato de que corrupção não tem partido e nem espectro politico.

O senador José Serra (PSDB-SP) aparece com 25% de intenções de votos. O neotucano João Doria, prefeito marqueteiro, não necessariamente nessa ordem, de São Paulo, é o segundo dos tucanos em intenção de votos, com 24%. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) aparecem empatados com 22% cada. Os três tucanos, no entanto, aferem taxa de rejeição superiores à de Lula: 58%, 62% e 54%, respectivamente.

Uma vantagem técnica atual de Doria é que ele já alcançou considerável marca de intenção eleitoral para a corrida presidencial de 2018 com muito pouco tempo de exposição. Outra vantagem que o torna um evidente candidato à candidato tucano, é que a rejeição acumulada é a menor de todos, 32%.

A eterna candidata da Rede, Marina Silva, corre por fora do espectro politico tradicional com um potencial de 30% de intenções, mas está em queda, pois pesquisas do ano passado (2016) a colocavam com 39%.

O Ibope realizou 2.002 entrevistas entre os dias 7 e 11 de abril, em todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.